O Brasil gosta de se apresentar como potência ambiental, mas a realidade brota amarga em suas nascentes. Onde antes havia diversidade, hoje sobra repetição. Onde existia equilíbrio, agora há simplificação. O avanço das florestas de eucalipto, segundo estudo da UFJF, está reduzindo drasticamente a biodiversidade de organismos aquáticos em áreas sensíveis da Mata Atlântica.
A pesquisa analisou dez nascentes na bacia do rio Paraíba do Sul e encontrou uma diferença brutal: mais de 8 mil macroinvertebrados em áreas com vegetação nativa contra pouco mais de 5 mil em regiões influenciadas pelo eucalipto. Mais grave ainda foi a perda de grupos sensíveis a impactos ambientais, que simplesmente não sobrevivem nesse novo cenário artificial.
O problema não é apenas a árvore em si, mas o modelo que a sustenta. O eucalipto é plantado em larga escala, de forma homogênea, criando um ambiente pobre em alimento e abrigo para organismos que dependem da diversidade de folhas, galhos e micro-habitats. O resultado é uma reação em cadeia: menos organismos, pior qualidade da água, maior fragilidade do ecossistema.
A legislação ambiental, frequentemente citada como escudo, mostra-se insuficiente. Mesmo com áreas de preservação permanente formalmente mantidas, o impacto acontece. A monocultura altera a infiltração da água no solo, aumenta o escoamento superficial e dificulta a recarga dos aquíferos. Em tempos de crise hídrica, isso é irresponsabilidade ambiental.
O discurso de que o eucalipto é sustentável não resiste aos dados. Sustentável para quem? Para a indústria, talvez. Para as nascentes, claramente não. A ciência aponta que a acidificação do solo e a uniformidade da vegetação reduzem drasticamente as condições de vida nos ambientes aquáticos.
Transformar nascentes em zonas de sacrifício ecológico não pode ser o preço do desenvolvimento. O Brasil precisa parar de fingir que monocultura é floresta e começar a tratar a água como prioridade absoluta.
Cada nascente perdida é um aviso. E os avisos estão se acumulando.
Por Redação.
